28/5/2007 - Gravações da PF apontam para o TCU
Fonte: O Globo On Line Depois de atingir políticos do Executivo e do Legislativo, as investigações da Operação Navalha apontam para o envolvimento do Tribunal de Contas da União (TCU), órgão responsável por fiscalizar a aplicação dos recursos públicos. Diálogos gravados pela Polícia Federal revelam o suposto envolvimento de ministros numa pressão para mudar pareceres do TCU e favorecer a empreiteira Gautama. As pressões envolvem, inclusive, o procurador Lucas Furtado, representante do Ministério Público junto ao TCU. No ano passado, Furtado apresentou parecer contra a empreiteira no processo envolvendo a LJA, empresa que surgiu da cisão da Gautama. O dono da LJA, Latif Abud, é desafeto de Zuleido Veras, dono da Gautama. Num diálogo entre o lobista Sérgio Sá e a diretora da Gautama, Maria de Fátima Palmeira, o assunto é uma reunião que teria ocorrido, em agosto do ano passado, na casa do então presidente do TCU, Adylson Motta, com a presença de Lucas Furtado. Sá também teria participado. Tanto Motta quanto Furtado negam a reunião, mas o procurador diz que recebeu Zuleido em seu gabinete no TCU. Em outra conversa, Sá e Fátima discutem o comportamento que Zuleido deveria ter na reunião com Furtado. - Essa reunião (com Adylson Motta não existiu. Eu nunca tinha ouvido falar nesse lobista - disse Furtado. Ele disse que Zuleido foi reclamar do parecer, mas não tentou oferecer dinheiro: - Alguém quis me vender, mostrar influência sobre mim. Tentaram me usar. É ruim porque meu nome está envolvido nessa bandalheira. Através da assessoria do TCU, Motta (ministro aposentado) negou a reunião. No ano passado, a LJA acionou o Ministério Público no TCU porque a Secretaria de Agricultura do Distrito Federal, responsável pela construção da barragem no Rio Preto, recusava-se a cumprir o termo de cisão que transferia a obra à empreiteira. Furtado deu início ao processo, apresentou parecer contrário à Gautama, que foi aprovado por unanimidade em novembro de 2006. Em outro diálogo, Zuleido fala com o deputado Paulo Magalhães (DEM-BA) sobre a necessidade de fazer gestões no TCU para suspender o processo que envolvia recursos da Petrobras para a Gautama. Eles conversavam sobre a possibilidade de os ministros Augusto Nardes ou Guilherme Palmeira, irmão da diretora comercial da Gautama, Maria de Fátima Palmeira, pedirem vista no processo - o que Nardes acabou fazendo. O ministro Ubiratan Aguiar havia decidido que a Gautama deveria devolver R$ 1 milhão à Petrobras por descumprimento de contrato. No diálogo, Zuleido, depois de ser questionado por Magalhães sobre como vai aquele negócio, responde: Tamos pedindo vista. Quem deve pedir é Nardes, coisa assim, tá? Ou então o Guilherme. Agora é bom dar um pulinho lá. Olha, meu amigo, não faça mais isso. O diálogo ocorreu às 9h52m. À tarde, no mesmo dia, Nardes pediu vista do processo.
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